Assim como os pássaros nascemos todos com asas e voz.
Somos livres pra voar, livres para cantar.
Mas com o passar do tempo perdemos as penas e algumas escolhas
erradas nos fazem perde-las mais cedo que o esperado.
Sendo assim assolados pela tristeza, perdemos também o nosso
canto.
Quando percebemos já não os temos mais.
As asas depenadas nos impedem do voo, e sem o som da voz
perdemos a comunicação e nos tornamos reclusos e prisioneiros de nós mesmos.
E assim uma vida se esvai.
Dentre tantas vidas no mundo, uma se perdeu.
Pra maioria nada muda, foi apenas um dia a mais e uma pessoa
a menos dentre tantas que se vão diariamente e o mundo continua girando, a vida
continua seguindo.
Mas pra quem ela foi importante ao olharmos a noite vemos
uma estrela a menos no céu, um brilho que foi tirado de nós e embora ele já estivesse se apagando lentamente, quando o
vemos extinto, sentimos um vazio e uma dor que não conseguimos ignorar.
Vemos falar por ai que após a morte esquecemos as coisas
ruins e lembramos apenas as coisas boas, santificamos este que se vai. Mas
agora entendo que é porque independente de tudo que foi feito a positividade
sempre sobressai, pois queremos lembrar apenas do que fez bem, dos momentos
felizes, das piadas contadas, do sorriso deixado, as ironias e conversas, do
abraço e do olhar aquele último olhar remanescente de vida...
E aqui deixo meu adeus, um adeus triste e cabisbaixo, um que
eu preferia não ter de dar. Mas é preciso, Então peço ao tempo um tempo pra que
nos cure e que ele não leve as memórias dos momentos dessa história. Pois você
se foi, mas eu manterei suas lembranças e assim te manterei vivo dentro de mim
e espero que agora você tenha retomado suas asas e seu canto e onde quer que
esteja volte a brilhar e que enfim possa ser o que sempre quis.
Ser livre.
Esteja com Deus, pois sempre estará conosco, dentro dos
nossos corações.
Para o querido Tio Sergio.
Por : Luna Colombini
